palmeiras 1999

Muita gente tem nos perguntado por onde anda a marca Rhumell, famosa por produzir as camisas do Palmeiras nos anos 90 e início dos anos 2000. Outra questão muito comum é se a marca é uma espécie de cópia da Hummel dinamarquesa, a famosa marca das “setinhas”.

Nós resolvemos vasculhar pela internet à procura de informações e da história dessa que é uma das marcas mais polêmicas que já apareceram no futebol brasileiro. E como diz o título da matéria, é bem sombria.

Começo

Camisa Rhumell do Palmeiras de 1993
Camisa Rhumell do Palmeiras de 1993

A marca apareceu nacionalmente no ano de 1993, substituindo a Adidas na camisa do Palmeiras. E junto com ela, também se deu início a “Era Parmalat” no verdão, um período muito vitorioso na grandiosa história da equipe.

Inclusive, a primeira camisa criada pela Rhumell para o verdão é uma das mais famosas e favoritas dos torcedores, principalmente por ter sido a camisa utilizada nos títulos paulistas e brasileiros nos 1993 e 1994.

E para quem reparar bem, a primeira logo da Rhumell traz um elemento que nos leva a crer em uma relação com a Hummel dinamarquesa: as setinhas.

Palmeiras

palmeiras 1996

A Rhumell foi a fornecedora oficial de materiais esportivos para o Palmeiras por 10 anos e nesse período viu o clube ser campeão paulista em 1993, 1994, e 1996, campeão brasileiro em 1993 e 1994, Torneio Rio-São Paulo 1993 e 2000, Copa Mercosul e Copa do Brasil em 1998, da Libertadores em 1999 e em 2000 da Copa dos Campeões.

Mas não foi em todos esses anos que o Palmeiras estampou a marca na camisa. De 1996 a 1999, o verdão estampou a Reebok, que era uma marca representada pela Rhumell.

Camisa Reebok do Palmeiras 1997
Camisa Reebok do Palmeiras 1997

Após os títulos, a Rhumell vestiu o Palmeiras na Libertadores da América em 2001, em que o Verdão foi eliminado pelo Boca Juniors, na derrota para o ASA na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro de 2002, no qual foi rebaixado pela primeira vez, ou seja, altos e baixos.

E ao fim do contrato com a equipe, em 2003, foi substituída pela Diadora, que antecedeu a Adidas, atual fornecedora do Palmeiras.

Polêmicas

mustafa

E como dissemos antes, a passagem da Rhumell ficou marcada por muitas polêmicas. A primeira é que na época em que assumiu o fornecimento do Palmeiras, muita gente afirmava que o presidente do verdão Mustafá Contursi tinha participação na Rhumell.

Após alguns anos, em 1996, o Palmeiras acabou se acertando com a Reebok, que utilizava materiais fabricados pela Rhumell. A polêmica na época foi a preferência pela marca em detrimento de uma proposta da Umbro,  que renderia 3 milhões de reais anuais ao clube, enquanto com a Rhumell e a Reebok, o valor era muito menor.

A Reebok ficou no verdão até o meio da Libertadores de 1999, quando a Rhumell voltou a estampar sua marca na camisa da equipe, que terminou com o título.

Até que em 2003, houve a rescisão do contrato com a Rhumell, que partiu do próprio Mustafá. A Folha de São Paulo trouxe a notícia do acerto com a Diadora na época e na matéria do jornalista Rodrigo Bueno havia as seguintes citações:

“A Rhumell, que construiu forte elo com o Palmeiras na gestão de Mustafá Contursi, estaria passando por uma crise financeira. O presidente do Palmeiras, que teria ligações com a Rhumell, estaria rompido agora com a firma.

A CPI do Futebol chegou a pedir a quebra do sigilo bancário da Rhumell. Ninguém da empresa foi localizado para falar sobre o rompimento com o Palmeiras. Contursi também não foi achado.”

A tal da CPI do futebol nunca encontrou nada que provasse a relação de Mustafá com a Rhumell.

Mas alguns anos atrás o caso voltou à tona, através do ex presidente Luiz Gonzaga Beluzzo, que recebeu críticas impetradas por um antigo diretor jurídico do Palmeiras, Piraci Oliveira, sobre o contrato firmado com a fornecedora de material esportivo Adidas no período de sua gestão.

Em uma matéria publicada no site UOL, em 30 de Maio de 2012 e assinada por Danilo Lavieri, Belluzzo revelou que o time fechou um contrato de R$ 70 milhões por quatro anos na época, bem inferior ao oferecido pela Adidas ao Flamengo, que queria pagar R$ 350 milhões por dez anos de vínculo, o que gerou críticas de Piraci.

Ele argumentou que, quando assinou, os valores eram ótimos perto da prática do mercado. Havia, ainda, um valor de enxoval que não estava incluído nos valores. Por isso, na época da assinatura, especulou-se que o valor era de R$ 80 milhões.

Por fim, ele ironizou o contrato assinado por Mustafá com a Rhumell. Na época, o Palmeiras não ganhava absolutamente nada pelo acordo. O documento do acordo nunca veio à tona. A Rhumell, inclusive, nem existia no Brasil e foi criada pelo ex-presidente, em referência à original, a Hummel, que tem forte atuação na Europa. Especula-se no Conselho do clube que a marca foi criada por um “laranja” de Mustafá Contursi, que nega veementemente a versão.

A resposta de Belluzzo na íntegra:

“Sobre o contrato da Adidas assinado em dezembro de 2010, quando eu era o presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, informo que os valores à época nos deixava como o segundo clube no país com o maior contrato de patrocínio junto a uma empresa de material esportivo, atrás somente do Flamengo.

Seguem os valores do contrato: R$ 17 milhões em 2011, R$ 17 milhões em 2012, R$ 17 milhões em 2013, e R$ 19 milhões em 2014. É importante ressaltar que o contrato anterior vencia em dezembro de 2011. O que fizemos foi atualizar os valores. É isso que uma gestão deve fazer.

Cabe, portanto, a quem me sucedeu, atualizar o contrato de acordo com mercado atual, se concluírem que os valores estão defasados. Mas o Piraci e o Mustafá devem estar com saudades do acordo que fizeram com a Rhumell, aquela marca pirata que ambos transformaram em oficial e até hoje o contrato é um mistério, já que ninguém nunca viu.”

Essa matéria chamou muito a atenção na época e veio à tona que o sigilo bancário da Rhumell havia sido quebrado ainda em 2000, à pedido do então ministro da fazenda, Pedro Malan.

Na época, uma outra reportagem da Folha de São Paulo mostrava que a suspeita da Previdência era que a empresa não estivesse recolhendo os 5% de contribuição previstos na lei para os patrocinadores, entre outras irregularidades.

A Folha ligou para representantes da empresa Impas, que possuía os direitos da Rhumell em São Paulo.

Segundo o diário, em um primeiro momento, um funcionário da empresa, que se identificou apenas como Osman, disse que a empresa não estava sabendo da determinação da CPI. Após insistência da reportagem, porém, ele afirmou saber da situação, mas que não era a pessoa responsável para dar esclarecimentos sobre o fato. Depois, voltou atrás, dizendo que a Impas não possuía ligação alguma com a Rhumell.  Um outro funcionário da empresa, no entanto, que pediu para não ser identificado, confirmou que a Impas representava a marca Rhumell no país.

O curioso é que o tal “Osman”, falado na matéria pode se tratar de Osman Gomes, que possui uma conta no “Portal do Representante”, onde ele anuncia vagas para a empresa RHM Sport. Esse nome também era domínio de um antigo site da Rhumell aqui no Brasil.

Bem estranho né?

Outras equipes

Coleção camisas Rhummel - Jean Romanholi
Coleção camisas Rhummel – Jean Romanholi

A Rhumell não forneceu uniforme somente para o Palmeiras. A marca também produziu uniformes para diversas equipes brasileiras, entre elas Bahia, América de Natal, Joinville, Criciúma, Atlético-PR, Paraná, Caxias, Internacional, Botafogo, Portuguesa, Santos, Sport, Cruzeiro, entre outros e até mesmo a Seleção do Chile.

Camisa do Chile - Rhumell

Destes casos, os que merecem um destaque especial são o América de Natal e o Bahia.

O América teve um uniforme produzido pela marca, mas com a estampa da Hummel dinamarquesa, o que é bem estranho e deixa bem claro a inspiração para o nome da marca.

Já o Bahia, teve uma história bem estranha com a marca. Em 2005, após uma longa parceria com a Penalty, o tricolor negociou com a Rhumell.

As camisas e todo o material de apoio (camisas de treino, concentração, etc) já estavam prontos e o clube até já havia recebido um grande lote para uso dos jogadores. Porém, inexplicavelmente (ao menos para nós torcedores), o clube romperia unilateralmente o contrato, conforme nota veiculada no site oficial do clube, onde dizia que o Bahia achou por bem não prosseguir com as negociações.

Nos bastidores, dizia-se que a empresa errou o tom de azul do escudo; por outro lado, também especulava-se que o motivador da rescisão era mesmo financeiro, pois os valores do contrato não eram satisfatórios e o clube teria achado coisa melhor, no caso a Diadora, que passou a fornecer os uniformes da equipe. Mas tudo isso não passava de especulação e boatos.

E o que fazer com o lote de camisas prontas? O jeito foi “queimar” o estoque no comércio local. As tradicionais lojas de material esportivo da Rua do Corpo Santo, no Comércio, passaram a vender uma camisa nova e inédita, mas que já chegava “morta” ao mercado. Já o Bahia, passou a usar as camisas já recebidas como moeda de troca, pagando a pequenos prestadores de serviço do Fazendão com os natimortos uniformes.

Atualmente

Apesar de não ser oficial, a Rhumell não existe mais, pois teria falido. Procurando pela internet, descobrimos que no site oficial da marca no Brasil de anos atrás, está uma mensagem bem estranha. Para conferir, clique aqui.

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Qual a opinião de vocês sobre a Rhumell? Gostariam que ela voltasse?