O futebol em Portugal vai além das meras especificidades de um desporto normal. Une as pessoas, faz com que tenham um sentimento de pertença e impacta a rotina diária, tendo, por isso, implicações socioculturais.
Considerado o desporto-rei, o futebol é capaz de mobilizar as massas. Serve como um instrumento de integração social, ao juntar pessoas de diferentes classes, culturas ou religiões.
Por outro lado, é um acelerador da integração das comunidades imigrantes, além de permitir alargar a discussão de temas fraturantes, como o combate ao racismo.
Elevados ao estatuto de heróis, os jogadores de futebol são verdadeiras estrelas com impacto social. Nomes como Cristiano Ronaldo ou Eusébio servem como modelos e inspiração para os mais jovens, exercendo grande influência.
Continue a ler e entenda como o futebol e a paixão por esta modalidade em Portugal vão além dos relvados e influencia o dia a dia dos portugueses.
Das elites ao povo: como o futebol se tornou universal no país
O futebol é um desporto popular em vários países e Portugal não é exceção. Foi no final do século XIX, o futebol começou a ser introduzido no seio da cultura portuguesa. Embora tenha sido promovido inicialmente pela aristocracia e alta burguesia lisboeta, que contactava regularmente com as elites inglesas, rapidamente se estendeu a toda a sociedade.
O primeiro jogo em Portugal terá acontecido em 1875. Seguiu-se a fundação de alguns dos principais clubes lusos, a criação das primeiras competições e, com o passar dos anos, tornou-se um fenómeno de massas. Em Portugal, os anos 60 foram de grande projeção internacional com as campanhas europeias do Benfica, antes do crescimento do FC Porto tanto no país como além-fronteiras. O Euro 2004, realizado em Portugal, foi o ponto alto deste sentimento de pertença. Já a conquista do Euro 2016, a primeira da Seleção, tornou-se um marco na população portuguesa.
O domínio dos três grandes: qual o espaço dos clubes pequenos?
A grande maioria dos portugueses que torce por uma equipa é dos três grandes: Benfica, FC Porto e Sporting. O sucesso desportivo dos clubes ao longo dos anos, aliado ao gosto que vem de outras gerações e aos sentimentos de pertença e identidade, ajuda a justificar este facto. Em 2019, uma sondagem estimava que quase metade dos portugueses apoiava o Benfica, algo que já tinha sido apontado por um estudo anos antes.
Benfica, FC Porto e Sporting são os clubes com mais títulos em Portugal e concentram em si grande parte da atenção dos media. A falta de competitividade e poderio económico dos outros clubes também não permite que cresçam até ao nível destes. Ainda assim, em Portugal ainda existe uma identidade regional. É certo que o Benfica é tido como o “clube do povo” e o FC Porto tem uma grande influência na comunidade portuense. Porém, outros clubes de freguesias, vilas e locais têm capacidade de mobilizar as pessoas da terra. Existem inúmeros clubes espalhados pelo país, desde campeonatos amadores até às divisões profissionais, que semanalmente são capazes de juntar centenas e milhares de adeptos nos estádios.
Os rituais em dia de jogo
Ir ao futebol é um programa de convívio enraizado na cultura portuguesa. Em dia de jogo, há tradições que se mantêm e práticas que atravessam gerações e classes sociais. As pessoas juntam-se para ver o seu clube no estádio, colocam o cachecol e a camisola para sentirem-se parte do mesmo e concentram-se nos arredores do recinto. Aí, há comida e bebida, com a tradicional bifana ou sandes de courato, tremoços, amendoins e cerveja, por exemplo. O jogo vê-se também em casa ou nos cafés, o que gera um impacto positivo nos pequenos negócios locais. Sites como o Mantos do Futebol dedicam-se precisamente a este universo, explorando a história e o simbolismo por trás das camisolas que unem gerações de adeptos.
Há também quem goste de ler as notícias ou aproveitar o momento para fazer apostas desportivas ou explorar o casino online. Para complementar essa experiência, muitos adeptos recorrem a plataformas, onde podem acompanhar resultados, estatísticas e informações detalhadas sobre equipas e jogadores em tempo real.
O fenómeno Cristiano Ronaldo como exemplo para as novas gerações
A aposta nas infraestruturas para a formação de talentos tem permitido a Portugal desenvolver jogadores, que estão espalhados pelo mundo fora. Durante o Estado Novo, Salazar impediu que Eusébio, à data um dos principais nomes do futebol europeu, saísse do país, mas o cenário é completamente diferente atualmente. Luís Figo foi o segundo português a ganhar a Bola de Ouro, enquanto Cristiano Ronaldo conquistou cinco e entrou para um leque restrito dos melhores jogadores de sempre.
As pessoas encaram os jogadores de futebol como uma validação da sua própria identidade. Com carreiras de sucesso, estas estrelas do desporto são embaixadores do país além-fronteiras. As suas experiências servem de inspiração, mas estes jogadores têm também em mãos um enorme poder. Cristiano Ronaldo tem mais de 650 milhões de seguidores só no Instagram, o que lhe acarreta outra dimensão social. O envolvimento do internacional português em ações de caridade espelha o impacto que tem fora do campo.
Que impacto tem o futebol em ações sociais em Portugal?
O futebol é um veículo de coesão social em Portugal. Por isso, tanto clubes como jogadores de futebol costumam envolver-se em campanhas de solidariedade, utilizando o desporto como ferramenta de promoção de valores de comunidade.
Nos últimos anos, em Portugal, por conta do impacto dos incêndios, alguns plantéis têm mesmo cedido bens alimentares a corporações de bombeiros. Outro exemplo são as ações promovidas pelos clubes em que um bem alimentar para um animal serve como “bilhete” para ver um jogo.
Símbolos como o da Liga Portuguesa contra o Cancro ou protestos contra a violência doméstica também costumam ser usados nas camisolas dos jogadores. Estes são apenas alguns exemplos do poder do futebol e do impacto que tem em Portugal.
