Camisa Grená do Corinthians

Na volta do especial #ThrowbackThursday aqui no MDF, nós vamos trazer uma camisa muito especial de um dos aniversariantes do dia 1 de setembro, o Corinthians, que completa 106 anos nesta quinta-feira. É claro que na história do timão existem muitas camisas que podemos destacar e contar as histórias, mas essa em especial é uma que ficou realmente muito marcada na história do clube.

Vamos voltar ao ano de 1949, quando o Corinthians atuou em uma partida contra a Portuguesa de Desportos, no dia 8 de maio, com a camisa do Torino, time sensação na Itália e em toda a Europa, como uma homenagem pela morte de todo o time em um acidente aéreo, ocorrido quatro dias antes.

A equipe italiana havia feito uma excursão pelo Brasil no ano anterior e só perdeu uma partida, para o próprio Corinthians, por 2×1, em duelo realizado no estádio do Pacaembu, no dia 21 de julho. Alguns anos antes, em 1914, os dois clubes já haviam se enfrentado em dois jogos, com duas vitórias dos italianos. Na época, o treinador do Torino, Victorio Pozzo, futuro bicampeão do mundo à frente da seleção da Itália em 1934 e 1938, afirmou: “O Corinthians pode ir à Europa e enfrentar, sem receio, qualquer dos times de lá”.

Tragédia de Superga

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No dia 4 de maio de 1949, após um amistoso contra o Benfica para a despedida de Francisco Ferreira, em Portugal, o avião que levava a equipe do Torino se chocou com a Basílica de Superga, nos arredores de Turim, na Itália. O mundo não conseguia acreditar que era o fim do Grande Torino, o esquadrão que chegou a ser tetracampeão italiano, e de Valentino Mazzola, craque da Seleção Italiana. Foram 31 mortos no total.
A comoção pela perda de jogadores que formavam a base da Seleção da Itália foi tamanha que o funeral reuniu cerca de 500 mil pessoas nas ruas de Turim, para prestar uma última homenagem. O Torino nunca mais seria o mesmo. Diversas homenagens ao redor do mundo foram feitas ao time italiano, que jogava com camisa grená.

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Corinthians 2×0 Portuguesa

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No Brasil, o Corinthians, que, como já citado, tinha uma história com o clube italiano, se sentiu na obrigação de homenagear a equipe. Em um amistoso contra a Portuguesa, o timão disputou a partida vestindo as tradicionais camisas grenás do Torino. Antes de rolar a bola, o presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Sr. Maximiliano Ximenes, fez um discurso que provocou lágrimas na platéia do lotado estádio do Pacaembú.

No final do jogo, o placar apontava 2×0 Corinthians, com gols de Colombo e Noronha, sendo que toda renda da partida foi destinada para a família dos jogadores vitimados pela tragédia.

Camisas comemorativas

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Em 2011, como forma de homenagear o episódio, o Corinthians lançou uma terceira camisa, em parceria com a Nike, na cor grená. A camisa ainda tinha uma arte de São Jorge, que ocupava a parte de cima do manto, na cor preta, além da inscrição “1949”na nuca, na cor branca.

Na época, a camisa foi eleita pelo site britânico “Subside Sports”como a camisa mais bonita do mundo naquele ano. O uniforme teve grande aceitação pela torcida e foi um sucesso de vendas, sendo utilizado dentro de campo, por algumas partidas no Campeonato Brasileiro.

O Corinthians recentemente lançou uma réplica dessa camisa, que está a venda nas lojas oficiais do clube, sem patrocinadores, inclusive o distintivo da Nike.

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Em 2015, o Corinthians lançou uma nova camisa grená para torcedores e colecionadores. A camisa tem padrão retrô, sendo inspirada na que foi utilizada no jogo contra a Portuguesa, inclusive com o escudo do Corinthians na época. Ela ficou à venda nas lojas oficiais do clube por algum tempo.

A homenagem rendeu até um agradecimento do Torino em seu site oficial.

O craque do Corinthians em 1949: Servílio, o “bailarino” da Fazendinha

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Servílio de Jesus nasceu em São Félix – BA, no dia 15 de dezembro de 1915, e veio a falecer aos 68 anos, em São Paulo, no dia 10 de abril de 1985. O meio-campista começou a carreira atuando pelo Galícia, até 1934, quando se transferiu para o Bahia. Em 1938, ele voltou ao Galícia e no ano seguinte foi para o Corinthians, onde ficou até 1949.

No timão, Servílio foi ídolo e ganhou o Campeonato Paulista em 1938, 1939 e 1941. A classe e a beleza de seu futebol fizeram com que a torcida e a crônica esportiva consolidassem o respeitável apelido de “O Bailarino”.

Segundo o Livro “Timão 100 anos”, do jornalista Celso Unzelte, Servílio foi o artilheiro do estadual por três vezes seguidas: 1945 (17 gols) 1946 (9 gols) e 1947 (20 gols). Ao todo, foram 363 participações com a camisa mosqueteira, obtendo 241 vitórias, 51 empates, 71 derrotas e anotando a expressiva marca de 201 gols.

Servílio também foi o primeiro camisa 9 do Corinthians, quando a utilizou pela primeira vez em um amistoso contra o River Plate da Argentina, no Estádio do Pacaembu, em 22 de dezembro de 1946. Até aquela data, a numeração nas camisas de futebol ainda não existiam. Depois, a partir de 1948, a numeração passou a ser obrigatória e foi assim que os jogadores participaram da Copa de 1950 realizada no Brasil.

Depois do Corinthians, Servílio ainda jogou pelo Ypiranga de São Paulo, onde encerrou definitivamente sua carreira.

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O que acharam da camisa utilizada pelo Corinthians em homenagem ao Torino, em 1949?