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MDF Entrevista: Paulo Lima - Designer da Cobra Coral - Santa Cruz FC

Paulo Lima há dois anos atrás participou do quadro Leitor MDF, onde o pessoal que gosta de desenhar fantasy kits mandam seus trabalhos e sugestões. Hoje, é o responsável por criar os uniformes do Santa Cruz, um dos principais clubes do Nordeste, e seu time do coração.

Batemos um papo com o designer, que nos explicou como seu sonho se tornou realidade. Além disso nos contou todo o processo para o lançamento do enxoval 2017 feito pela marca própria do Santa Cruz, a Cobra Coral, que foi um sucesso absoluto com os torcedores.

Mantos do Futebol: Fala Paulo, tudo bem? Nós do Mantos do Futebol lembramos de você desde 2015, quando você nos mandou um trabalho para o Leitor MDF, que fez bastante sucesso, quando você projetava uniformes do Santa Cruz feitos pela Nike e pela Puma. Naquela época você imaginava que um dia pudesse estar trabalhando no seu clube de coração, fazendo o que mais gosta?

Paulo Lima: Nunca imaginei que pudesse um dia trabalhar no Santa Cruz. Eram projetos meus criados em um momento de insatisfação da torcida com a Penalty, mas sem nenhuma pretensão de trabalhar no clube. Mas a repercussão do meu trabalho foi bem grande, teve ótima aceitação dos torcedores e as coisas aconteceram naturalmente. Mas eu nunca imaginei que o trabalho fosse me levar a trabalhar para o meu time do coração.

Mockups de Paulo fizeram sucesso entre os torcedores. Camisa 2 foi a primeira confeccionada pela Cobra Coral, antes de rescisão com a Penalty

MDF: O que você fazia antes de trabalhar no Santa Cruz? Era designer ou tinha outra profissão?

PL: Antes de trabalhar no Santa Cruz eu era designer de outras empresas, na área de software, interface, redes sociais voltado para designer digital.

MDF: Como foi o convite do Santa Cruz para que você fizesse parte deste projeto da Cobra Coral?

PL: Comecei fazendo freela para a empresa PE Retrô, empresa que licencia alguns produtos do Santa Cruz e de outros clubes de Pernambuco. Aí no início fiz alguns desenhos de camisas comemorativas, e o Willian (dono da empresa) foi gostando do trabalho. No final de 2016, meu ex-patrão me mandou embora e eu contei para ele, foi aí que ele me chamou para trabalhar na loja que ele opera no estádio do Arruda.

Certo dia eu estava na loja, quando o presidente do clube Alírio Moraes e o vice-presidente Constantino Jr apareceram e perguntaram ao Willian se ele tinha algum designer para elaborar os uniformes, pois o Santa Cruz estava pensando em criar a sua própria marca. Foi aí que veio o convite, ou melhor a intimação (rs) para que pudéssemos desenvolver esse projeto juntos.

Desenho de Paulo Lima foi um dos finalistas do concurso “Manto das Multidões” feito pela Penalty

MDF: Mas a direção do clube já conhecia os seus trabalhos?

PL: Sim, eles já me conheciam através do concurso “Manto das Multidões”, onde um fui um dos finalistas. Na ocasião fiz um modelo na cor azul, no qual recentemente me confidenciaram que tinha sido o preferido deles, mas quem acabou vencendo foi o Matheus (Ventura), que fez um desenho com listras em preto, branco e vermelho, na vertical.

MDF: Por que o clube resolveu apostar em uma marca própria?

PL: Há um bom tempo o Santa Cruz queria ter uma marca própria, pois estava rolando muita insatisfação com o trabalho da Penalty. A torcida não estava mais gostando do resultado final, do material das camisas, aconteciam alguns problemas na produção e na distribuição das camisas, muitos lojistas devolviam os produtos por causa de defeitos e isso não não estava sendo mais lucrativo para o clube.

Outras marcas como a Umbro e a Topper conversaram com o Santa Cruz, mas os valores apresentados não foram interessantes. A Dryworld chegou a fechar, mas graças a Deus não foi pra frente e o clube se livrou de uma bomba.

Então o Willian, da PE Retrô, apresentou o pessoal da Bomache pro Santa Cruz, e eles apresentaram os cases com o Paysandu e o Fortaleza, mostrando como os clubes conseguiram rentabilizar através de uma marca própria, e isso é exatamente o que o Santa precisa no momento, já que o clube passa por um momento de reestruturação.

MDF: Como foi o processo de criação da marca da Cobra Coral?

PL: O vice-presidente Constantino Jr criou um grupo de tricolores para discutir qual seria o conceito inicial, foi aí que chegamos ao consenso da frase “O Santa Cruz nasceu e viverá eternamente” que foi deixada por Alexandre de Carvalho, um dos fundadores do clube. A partir dela, chegamos ao conceito de eternidade, e o símbolo do infinito que fizemos a junção com o mascote do clube, a cobra coral.

Depois disso, coube ao Rubens de Souza criar o design da marca, em uma pegada mais esportiva, mais moderna, já que antes já tínhamos um símbolo utilizado para a Cobra Coral, mas que era mais voltado para o varejo. Após diversos briefings conseguimos chegar em um resultado final que obteve grande aceitação da torcida.

MDF: Explique para nossos leitores como funcionou o processo de criação dos uniformes?

A direção chegou para mim com o briefing de fazer uniformes inspirados no ano de 1986, com as mesmas tonalidades de cores, mesmos grafismos, inclusive o fato das listras verticais no lugar das horizontais que eram mais utilizadas recentemente.

Após diversas pesquisas e assistir dezenas de jogos da época, para ter uma melhor ideia de como eram feitos os uniformes na época, fizemos um grande brainstorm e depois de diversos rafes e rascunhos, chegamos aos protótipos que seriam os ideais.

Após isso viajamos para Fortaleza, para visitar a fábrica da Bomache e conhecer toda a tecnologia que eles tem disponível para elaborar os uniformes, técnicas de personalização, conhecer cada tipo de tecido, tonalidade de cores, gramatura, costura, detalhes essenciais pois havia bastante insatisfação nesse sentido em relação aos uniformes da Penalty.

Ao todo levamos cerca de dois meses e meio para concluir este projeto, contando esse vai e vêm de protótipos, alterações, visitas à Bomache, etc.

MDF: Qual o grande diferencial do projeto na sua opinião?

PL: Na minha opinião o grande diferencial foi algo inclusive que foi proposto pela Bomache. Eles sugeriram a criação de três tipos de produto, a versão fan, com um preço mais baixo e com o intuito de combater a pirataria. A versão torcedor, com um tecido mais encorpado e com alguns detalhes da camisa profissional, e a oficial de jogo que carrega todos os detalhes e traz um tecido com um percentual maior de elastano que torna o material mais fit.

MDF: Como vocês avaliam a recepção da torcida em relação à marca própria e aos novos uniformes?

Antes do lançamento o sentimento era de desconfiança, afinal o clube vem de algumas gestões confusas, apesar da atual gestão mais ter acertado do que errado, dentro de campo o Santa foi rebaixado para a série B do Brasileiro e neste ano eliminado em duas semifinais, então havia muita desconfiança, mas nós tínhamos uma confiança muito grande, pois o trabalho tinha sido bem embasado e sabíamos a chance de êxito era muito grande se executássemos tudo de forma correta.

Depois do lançamento, a recepção da torcida foi excelente. Agradou muito a volta das listras verticais, o tom de vermelho utilizado, pois trouxe de volta à memória dos torcedores mais saudosos uma época gloriosa.

Em relação aos uniformes, foi a primeira vez que os torcedores olharam para o uniforme e viram ao mesmo tempo algo tradicional e moderno, pois além de resgatar a história do clube, trouxemos detalhes que nunca antes tinham sido usados nas camisas do Santa Cruz, como furos à laser, embossing 3D, os diferentes tipos de tecidos para cada modelo de camisa, ou seja, pela primeira vez na história o Santa Cruz teve um uniforme tecnológico e tradicional, que resgata a memória do clube mas ao mesmo tempo traz muita inovação e muita modernidade.

MDF: Como funciona o relacionamento com a Bomache?

PL: A Bomache recebe o protótipo e executa o projeto, ou seja, transforma o que imaginamos em um produto final. O clube paga todos os custos de produção e obviamente a Bomache coloca a margem de lucro dela sobre este preço. Depois que a camisa é vendida, todo o lucro vai para o clube. Não consigo te passar os valores exatos, mas posso dizer que é cerca de cinco vezes mais do que a Penalty repassava para o Santa Cruz.

Paulo Lima e o presidente Alírio Moraes

MDF: Vem algum novo uniforme ainda neste ano? O que você pode adiantar para o Mantos do Futebol?

PL: Temos sim o plano de lançar um novo uniforme, mas não é certeza pois a prioridade agora é estabelecer a marca Cobra Coral e criar uma melhor relação com os torcedores, pesquisar tendências e conseguir se estruturar melhor para absorver a demanda.

MDF: Podemos dizer que você realizou o sonho da maioria dos leitores do MDF que gostam de desenhar mockups e sonham em ver os seus projetos sendo utilizados em campo por um time profissional, no seu caso, o seu time do coração, o que é algo ainda mais fantástico.
Deixe uma mensagem para quem acompanha o site e sonha em um dia poder chegar onde você chegou!

PL: Eu nunca tinha pensado que um dia eu estaria um dia sentado dentro do clube pelo qual eu torço desde criança, ao lado do presidente, viajando pelo clube, vivenciando o dia a dia, os problemas e as alegrias, elaborando projetos para um clube centenário, algo para entrar para a história do Santa Cruz.
Muitos torcedores não me conheciam e hoje me conhecem, me cumprimentam por ter realizado o que eles pediam, um uniforme à altura do nosso clube.

Gostaria de dizer para o pessoal que acompanha o Mantos do Futebol nunca desistir, trabalhar duro, fazer networking e ir atrás do que eles desejam porque a oportunidade vai aparecer e quando ela surgir agarre com todas as forças e se dedique ao máximo pois vale muito a pena. Ver minha família e meus amigos felizes, não tem preço. Realmente eu nunca imaginei que pudesse estar lá, trabalhando 110% nesse projeto, várias noites sem dormir, mas muito feliz por ter conseguido ter êxito no objetivo final.

Paulo acompanhando a coletiva de lançamento dos uniformes desenhados por ele

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