Crédito: AP-Photo-Santiago-Lyon

Vocês devem se lembrar que recentemente tivemos alguns casos de times utilizando uniformes que não eram especificamente deles né?

Só neste ano, tivemos o episódio do Atlético Tucumán, da Argentina, que utilizou os uniformes da Seleção Sub-23 em duelo pela Pré-Libertadores, após uma verdadeira novela mexicana, e a equipe do Toulouse, da França, que precisou comprar uniformes genéricos da Nike antes de uma partida pela Ligue 1.

Já falamos por aqui também sobre o episódio mais clássico do tema “Equipe utilizando uniforme de outra”, que foi na Copa do Mundo de 1978, quando a França, em duelo contra a Hungria, jogou com a camisa de um time argentino, listrada em verde e branca.

Hoje é a vez de um grande clube brasileiro aparecer no nosso quadro #ThrowbackThursday: o Botafogo de Futebol e Regatas, que precisou utilizar camisas do Deportivo La Coruña em duelo contra a Juventus.

O episódio ocorreu no dia 10 de agosto de 1996, na final do 50º Troféu Teresa Herrera, tradicional torneio sediado em La Coruña, no estádio Riazor, disputado desde 1946, normalmente na primeira quinzena do mês de agosto. O Deportivo é o clube mandante da disputa do troféu.

Naquela edição, o Botafogo chegou como campeão brasileiro de 1995 e tinha como adversários o Deportivo, donos da casa e até então um dos maiores times da Espanha, com um elenco que continha Mauro Silva, Rivaldo e Bebeto, o Ajax, campeão mundial na época, com Kluivert, Van der Sar, Litmanen e os irmãos De Boer no elenco, e a Juventus, campeã europeia daquele ano, com Zidane, Del Piero, Deschamps, Vieri e outros craques.

Os quatro times foram separados em duas semifinais. Na primeira deu Juve, 6×0 no Ajax, repetindo a vitória conquistada na Champions League meses antes, e na segunda o Fogão venceu os donos da casa por 2×1.

A final então seria decidida entre dois alvinegros com uniformes praticamente iguais. Um dos dois teria que atuar com o uniforme reserva, e é aí que a história fica esquisita.

Já ouviram o ditado, “Quem conta um conto, aumenta um ponto?” Pois é, isso pode-se aplicar à história de Juventus e Botafogo, pois cada pessoa a conta de uma maneira diferente.

Alguns dizem que nenhuma das equipes havia levado uniformes reservas para o duelo, outros que a Juve possuía vantagem pelo saldo de gols e por isso era considerada a equipe “da casa”, tendo o Botafogo que se virar, já outros afirmam que a Juventus havia levado o uniforme reserva, na época azul e amarelo, mas que bateu o pé e disse que iria atuar com o titular.

Fato é que o Botafogo não possuía o uniforme reserva completo e precisou improvisar, utilizando assim as camisas do Deportivo La Coruña, listradas em azul e branco, combinadas com seu calção preto e meiões cinzas. A Velha Senhora atuou de camisas listradas em preto e branco, calção e meiões brancos.

E pelo jeito o improviso deu certo. Após um jogaço com empate em 2×2 no tempo normal e que terminou com um placar de 4×4 após a prorrogação, o Botafogo conseguiu a vitória e o título do Teresa Herrera nos pênaltis, pelo placar de 3×0.

Em entrevista dada ao Globoesporte.com no ano passado, o capitão do Fogo na época, Wilson Gottardo, contou que os jogadores ganharam um combustível a mais durante o jogo por conta da confusão e da arrogância dos italianos. “A forma como foi conduzida, essa inflexibilidade da Juve, isso acabou mexendo um pouco mais com os ânimos, com a motivação do que aconteceu. Eu estava voltando de lesão, já estava até cansado de jogar os 90 minutos, depois teve mais a prorrogação, e o time todo fechado, determinado. Ainda tinha também algo que estávamos trazendo da temporada de 1995 (a equipe conquistara o título brasileiro). Era o nome do Botafogo junto com o nome de cada um. Acho que se a Juve tivesse sido um pouco mais humilde, respeitado um pouco mais as tradições do Botafogo, enfim… E dentro do campo eles também demonstraram isso, com prepotência, arrogância, a maneira de falar. A gente não devia nada para eles, jogava de igual para igual, dentro da nossa capacidade”.

E o ex-zagueiro tem até hoje guardada a camisa, segundo ele uma das mais importantes que vestiu. “Essa camisa tem muito peso na história. Porque é algo inédito, e da forma que foi. Sempre saindo jogando, buscando o gol, mas sempre saindo atrás no placar, do primeiro até o quarto gol. E surpreendendo. O próprio goleiro (Peruzzi), em alguns momentos, contribuiu nos nossos gols, nas jogadas mais decisivas, mais confusas. Mas cada suor que nós derramamos na camisa do La Coruña valeu a pena. Foi o troféu mais bonito que eu conquistei até hoje. Não vi nada igual. Você que é botafoguense ou quem quer que seja amante do futebol vale a pena fazer uma foto ao lado desse troféu. É fantástico”.

A camisa

O manto utilizado pelo Botafogo naquela ocasião é sempre lembrado quando falamos em uniformes retrô. Não só pelo episódio da partida contra a Juventus, mas também pela própria equipe do Deportivo La Coruña. O modelo 1996 é considerado por muitos o melhor já produzido para o espanhóis.

Ele possuía a cor azul royal como predominante e três listras verticais brancas, que se misturavam com outras duas listras brancas horizontais na região do peito. O modelo foi copiado anos depois pela Matonense, do interior paulista.

Mas o detalhe que mais chamava a atenção na camisa produzida pela Umbro era a numeração na manga direita, algo quase impossível de se ver hoje em dia e que na época já era algo impensável.

Confira abaixo os melhores momentos daquele jogo:

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Conhecia a história do Botafogo ter conquistado o troféu Tereza Herrera com camisas do Deportivo La Coruña? Gostou? Deixe seu comentário!