A noite de 8 de fevereiro de 2017 foi uma verdadeira epopeia para o Club Atletico Tucumán, da Argentina. A equipe da modesta cidade de San Miguel de Tucumán protagonizou uma verdadeira aventura em mais um episódio da Libertadores da América, competição da qual participa pela primeira vez.

Tudo começou quando a diretoria da equipe resolveu que o Atletico chegaria à Quito pouco antes do jogo decisivo contra o El Nacional, que valia a classificação para a terceira fase da Pré-Libertadores. Isso tudo para evitar os efeitos da temível altitude da cidade.

O que os dirigentes talvez não tenham pensado é que poderiam haver imprevistos nessa história toda, o que aconteceu. Ao chegar em Guayaquil, que fica a 269 km da capital equatoriana, a equipe foi surpreendida ao saber que o voo que os levaria até o jogo havia sido cancelado, por falta de autorização.

A partir daí foi uma corrida contra o tempo. O Atletico conseguiu fretar um outro voo para Quito e enviou apenas os 11 titulares mais o treinador, sem uniformes ou chuteiras, que haviam ficado em Guayaquil. Enquanto isso, negociava com a Seleção Argentina sub-20, que disputa o sul-americano na capital, o empréstimo do material e tentava se explicar ao El Nacional e Conmebol. Também havia a opção de utilizar o uniforme reserva do El Nacional.

Nesse meio tempo, o El Nacional anunciou que iria esperar pela equipe por 45 minutos após o horário de início da partida, tempo previsto no regulamento, mas segundo o presidente do clube equatoriano, em entrevista à televisão argentina, uma ligação direta da sede da Conmebol pediu para que eles aguardassem. Até mesmo o embaixador argentino em Quito se envolveu no episódio, pedindo a compreensão do El Nacional e ajudando no esquema para a chegada do Atlético Tucumán.

O Atletico desembarcou em Quito 15 minutos depois do horário oficial de início da partida e precisava percorrer mais 30 minutos. Para isso, pegaram um ônibus e se dirigiram ao estádio Atahualpa. Após 39 minutos de muita correria, com o veículo atingindo 130 km/h na auto-estrada, os jogadores chegaram no local do jogo, 54 minutos depois do horário previsto no regulamento.

O jogo se iniciou 1h30 depois do previsto, com o Atletico Tucumán atuando com o uniforme da Seleção Argentina (somente o goleiro Lucchetti estava com uniforme do clube), representando o país em dose dupla. Talvez algum “Galvão Bueno da Argentina” tenha dito a célebre frase: “El Tucumán és la Argentina hoy!”

Jogadores do Tucumán provando as chuteiras dos jogadores da sub-20 argentina

Muitos dos jogadores que atuaram com a camisa albiceleste provavelmente nunca mais a vestirão em um jogo oficial, mas poderão dizer um dia que já atuaram com a camisa da seleção hermana. Outros, como o zagueiro Canuto, já a haviam vestido e sentido a sensação de estar trajando o escudo da AFA no peito. Foi algo único para todos.

Mas é aí que vem à tona a história mais curiosa da noite. Parece até roteiro de filme.

Todos nós sabemos que o uniforme da Argentina tem o design listrado em azul celeste e branco inspirado no manto utilizado pelo Racing Club, certo? Mas o que pouca gente sabe é que o time de Avellaneda se inspirou no Tucumán para criar esses uniformes, ou seja, indiretamente, o Atletico inspirou os uniformes da Seleção Argentina, já que foi o primeiro a utilizar o design albiceleste. É como se ontem tivesse sido o fechamento desse ciclo, loucura total.

E no final deu Tucumán! Vitória de 1×0, com gol de Zampedri no segundo tempo. Final feliz para os argentinos, após uma noite repleta de emoções.

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O que acharam dessa história toda? Sabiam da inspiração do manto albiceleste?